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Formado na ginástica em São Caetano, Zanetti vai brigar por ouro em Londres

Aos 22 anos, o atleta conta como é o trabalho para se chegar ao sonho olímpico; e, no caso dele, inclui uma novidade na série que pode derrubar o rival chinês: é quase uma "flexão" nas argolas, para cima e para baixo, com o corpo reto no ar

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O brasileiro Arthur Zanetti, vice-campeão mundial de argolas, tem chance de ser ouro olímpico em Londres. Richard Heathcote/Getty Images

O brasileiro Arthur Zanetti, vice-campeão mundial de argolas, tem chance de ser ouro olímpico em Londres. Richard Heathcote/Getty Images

Denise Mirás, do R7

Arthur Zanetti é de São Caetano. De criança, começou sua formação como ginasta no Santa Maria, e em Londres está pronto para ganhar uma medalha olímpica nas argolas. E tem chance de chegar ao ouro. Depois do Mundial de Tóquio, em dezembro passado, quando foi prata no aparelho, tornou sua série mais difícil e agora tem nota para sair empatado com seu principal adversário – o campeão mundial Chen Yibing. Em entrevista ao R7, Zanetti – 22 anos, 1,56 m, 62 kg - fala sobre a vida de atleta e expectativas para a Olimpíada.

R7 – Algum motivo especial para escolher a ginástica?

Arthur Zanetti – Na escola, eu já era mais baixo. Mas também era mais rápido e mais forte, tinha mais explosão. O professor de Educação Física viu isso, quando a gente apostava corrida. Então, com sete anos de idade, já fui fazer um teste para a ginástica.

Você nem sabia o que era...

- Não, não sabia. Jogava futebol. A gente não sabia o que era ginástica. Não era divulgado. Mas aí fui vendo, percebendo os elementos, pegando gosto...

De criança o treinamento não é tão puxado.

- Sim, é mais recreativo. Quando estamos com 14, 15 anos é que vem a parte mais difícil. São os amigos de escola que vão brincar na rua, depois viajar, sair à noite... E você não pode porque tem treino... Muitos deixam o esporte nessa idade.

Por essa idade você chegou a pensar em parar?

- Pensei. Tinha 15 anos e tive uma lesão no ombro direito. Mas foi por isso que continuei!

Como assim?!

- Eu tive de parar, por causa da lesão. Dar um tempo. Estava muito sobrecarregado, com os treinos, e assim dei uma refrescada. Quando vi, já estava sentindo falta... A cabeça já estava boa.

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De criança, adolescente, você já treinava pensando em chegar a uma equipe brasileira, em representar o país?

- Sempre. Desde pequeno tinha esse objetivo. Tanto que com 12, 13 anos, comecei a pedir para a minha mãe me ensinar a lavar roupa, cozinhar... Eu pensava que quando chegasse à equipe brasileira ia ter de me virar!

E quando você foi convocado?

- A primeira vez foi em 2007, para o Mundial de Stuttgart, na Alemanha. Não participei da seletiva para o Pan [os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro 2007]. E, depois, pensaram em outra alternativa para o Mundial, outra equipe. Eu me emocionei muito. A gente estava treinando em Curitiba e me falaram no último dia, em cima do embarque.

É um salto, de atleta nacional para internacional, não?

- Sim, vendo atletas do mundo inteiro. No Pré-Olímpico, via os representantes da China, Japão, Alemanha, Estados Unidos... Filmei esses ginastas nas argolas. Dá vontade de treinar a mais para alcançar.

Alguém em quem você se espelhou?

- Um holandês, o Yuri van Gelder. Ele é especialista em argolas e ganhava tudo. Qualquer campeonato que ele ia, ganhava. Todo mundo só pensava na medalha depois dele. Era o rei das argolas – e também muito simpático.

Aliás, por que você optou por se especializar em argolas?

- Para mim, pela estatura, era mais difícil o cavalo [com alças], por exemplo. Sendo mais baixo, tenho o centro de gravidade mais próximo para fazer os movimentos nas argolas e então é mais fácil para mim.  E eu sempre gostei das argolas, sempre gostei de fazer força.

No caso da ginástica, como é o treino no alto nível, no masculino?

- Fisicamente é muito puxado. Eu trabalho muito com o corpo. Nosso instrumento é o corpo. Não é pé, mão, é o corpo todo. E as argolas são força pura. Faço musculação, sim, uma hora, uma hora e meia por dia, mais cinco horas no tablado. Seis dias por semana.

Com relação à alimentação, os ginastas comem mais que na ginástica feminina? Ou também evitam algumas coisas?

- Eu tento evitar bobagens. Mas gosto de chocolate, por exemplo. A nutricionista fala: não precisa comer a barra inteira – come uma “fileirinha”... De resto, como de tudo: carne, massa.

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Como foi chegar a vice-campeão no Mundial de Tóquio?

- Meio esquisito. Meu objetivo era ser finalista, mas fui segundo, empatado com o japonês [Koji Yamamuro]. O chinês [Chen Yibing] ganhou. Fiz uma prova boa, ganhei a vaga olímpica, foi uma alegria total! Mais do que eu estava esperando.

E qual a diferença, basicamente, entre o chinês e você? Pensando na Olimpíada de Londres...

- Não tem como ser perfeito. O objetivo é ter descontos baixos, nas notas. O que pegava era a saída. Cravando, fica diferenciado. E acho que tenho um ponto positivo: a concentração. Consigo pensar em elemento por elemento, parte por parte da série, os ângulos, os movimentos para conseguir. Isso em 50 segundos, um minuto. Estou treinando especificamente para as argolas. Não vou treinar solo e salto porque seria um desgaste a mais. Estou focado nas argolas. Aumentei minha nota de saída [16.80 contra 16.50 do Mundial], que foi a nota de saída do chinês em Tóquio, que foi campeão.

- O que você mudou na série? O que são esses três décimos a mais para a Olimpíada, em relação ao Mundial?

- Está entre o primeiro e o segundo elementos. Imagine que tenho de ficar na horizontal, bem reto com o corpo no ar. Então, subo, com os braços, sem parar nas argolas, desço abaixo delas e subo de novo.

É como se você fizesse uma flexão para cima, para baixo e para cima de novo, sem parar – e nas argolas...

- Mais ou menos isso...! É um elemento difícil. O corpo tem de estar retinho. O chinês tinha a nota de saída mais alta – 16.80 -, que agora eu também tenho. E não vi o chinês fazer esse elemento. Vamos ver. Tem outros, mas meu principal adversário é ele.

Na competição, você observa os outros? E o público? Dá para ver e ouvir alguma coisa estando tão focado em cada parte da série?

- Vejo os outros, mas não fico prestando atenção que nota ganhou, quanto teve, nada disso. Eles fazem a parte deles e eu faço a minha parte. Durante a série, não escuto e não vejo nada. Só no finzinho eu escuto, no finzinho [de 50, 60 segundos...], quando começo a relaxar.

Então, na ginástica medalha se ganha mesmo é no treino...

- Sim.

E há algum jeito de esconder o jogo?

- Na etapa de Cottbus [Alemanha], fiz minha série antiga. Porque o chinês ainda teria tempo de mudar alguma coisa. Mas agora, não. Os adversários podem até já ter visto a série mais forte, em vídeo, mas agora não dá para mudar mais nada...

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A Rede Record mostrará a Olimpíada de Londres 2012 com exclusividade na TV aberta brasileira, e também pela internet, por meio do R7. A Record detém ainda os direitos de transmissão dos Jogos Pan-Americanos de Toronto 2015 e da Olimpíada do Rio de Janeiro 2016.

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